quinta-feira, 23 de julho de 2009
TRT do Paraná terá primeiro juiz cego do País
O procurador regional do Trabalho Ricardo Tadeu Marques da Fonseca (foto) foi nomeado pelo presidente da República para exercer o cargo de juiz Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR). Ele ocupará a vaga aberta em virtude da aposentadoria da juíza Wanda Santi Cardoso da Silva. Ricardo Tadeu Marques da Fonseca integra o Ministério Público do Trabalho desde 1991. Para ele, fazer parte do TRT-PR será a concretização de um sonho. “Tentei entrar na magistratura em 1989, quando prestei concurso para juiz do Trabalho em São Paulo, mas fui impedido de participar da última fase do concurso por ser cego. Naquela época havia uma decisão do Supremo de que pessoas cegas não poderiam atuar como juiz”, explicou. Ricardo Tadeu nasceu prematuro, sofreu paralisia cerebral em decorrência disso e teve deficiência visual, por causa da chamada retinopatia. Incentivado pela mãe, estudou em escola regular e, aos 23, quando cursava o terceiro ano da faculdade de Direito, perdeu a visão completamente. Com o apoio de colegas, que gravavam o conteúdo dos livros e das aulas para que ele estudasse, formou-se pela USP, fez mestrado e doutorado, publicou dezenas de artigos acadêmicos e escreveu o livro “O trabalho da pessoa com deficiência e a lapidação dos direitos humanos". “Ao ser nomeado pelo presidente em uma lista tríplice, muito me honra atuar no Tribunal Regional do Trabalho do Paraná”, completou o novo integrante do TRT/PR. Ele foi recebido em audiência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última sexta-feira (17). “A experiência vivenciada nesses 17 anos como procurador do Trabalho em muito contribuirá para desempenhar o honroso cargo que agora assumo no TRT da 9ª Região”, concluiu. (Fonte: TRT da 9ª Região/Procuradoria-Geral do Trabalho)
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Eis a história deste brilhante ser humano:
ResponderExcluirO procurador do Trabalho Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, 47 anos, nunca se intimidou diante de obstáculos. Nasceu prematuro, sofreu paralisia cerebral em decorrência disso e ficou com deficiência visual. A mãe, Genny, exigiu que o filho tivesse oportunidades iguais às de outras crianças, na escola, quando poucos falavam em inclusão educacional. Anos mais tarde, Ricardo formou-se em direito pela Universidade de São Paulo (USP)- meses depois de perder a visão completamente. E não parou por aí. Fez mestrado e doutorado.
Conheceu a discriminação ao ser impedido de prestar concurso para juiz do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Quem o impediu? Nicolau dos Santos Neto, então presidente do TRT- o mesmo Lalau condenado por desvio de milhões em recursos públicos durante a construção do edifício sede do tribunal. Ricardo Tadeu não desistiu. Prestou concurso em outro estado.
Há quinze anos, atua no Ministério Público do Paraná. Fez mais: publicou o livro "O Trabalho da Pessoa com Deficiência e a Lapidação dos Direitos Humanos." Mas sua vida não foi dedicada apenas ao trabalho. Ele encontrou força para enfrentar as batalhas do caminho no apoio recebido da mulher, a artista plástica Suzana, e das filhas Maíra, de 20 anos, e Iara, de 15. "O trabalho leva o homem a ser sujeito do próprio destino e não mero beneficiário do assistencialismo caridosamente excludente."